DNI
Esta semana vai ser importante para mim: é meu turno para dar entrada no pedido de DNI de estrangeiro. DNI, para quem não sabe, é o Documento Nacional de Identificação (em castellhano: Documento Nacional de Identificación).
A burocra aqui não é nada fácil. Eu já tinha organizado todos meus documentos no consulado argentino em São Paulo, assim que tudo foi um pouco mais fácil. Isso não significa que foi mais rápido. Entrei com o pedido pela primeira vez em novembro do ano passado. Faltou uma coisa: a tradução da certidão de nascimento. Não adiantou argumentar que o pessoal do consulado disse explicitamente que nenhum documento precisava ser traduzido.
Lá fui eu pro Colégio de Traductores de Buenos Aires, traduzi o documento e voltei alguns dias depois. Segundo o rapaz estava tudo certo e marcou uma data para que eu voltasse, com todos os documentos, xerox de tudo, certificado de residência (tirado em qualquer delegacia de polícia), 2 fotos e 20 pesos.
“Que bom”, pensei, “bem fácil”. Mas quando vi a data, fiquei boquiaberto. Dia 9 de setembro de 2009. Na hora não vi a parte cabalistíca de um 09/09/09. Só fiquei louco de raiva ao ver que era quase um ano mais tarde! Lembrem-se eu estava em novembro de 2008.
Perguntei ao rapaz: E nesse meio tempo eu fico ilegal aqui? E ele me respondeu com um levantar de ombros que dizia: E que posso fazer? ou O que eu tenho a ver com isso? Explico que não estou ilegal, já que o consulado me deu um visto “permanente” temporário até outubro de 2009. Mas não posso abrir conta ou alugar algo em meu nome ou ter nota fiscal, nem ter um emprego. Não que quisesse fazer algo disso.
Bom, esse quase um ano passou e agora vou lá, quarta-feira. Só falta tirar as fotos, tarefa que cumprirei amanhã de manhã. As fotos para DNI são bem estranhas. Nada de 3×4, são maiores, acho que 4×4 e o rosto precisa estar virado uns 45º para o lado direito. Wish me luck, all of you.
Depois de pegar o “jeito” do Robin Cook, a tradução está indo muito bem e tranquila. Estou trabalhando um pouco mais do que o normal, (faço algumas páginas durante o fim de semana e tento esticar ao máximo as manhãs) para poder trabalhar pouco ou nada durante a viagem para São Paulo. Como disse, o livro é bem tranquilo.
N quarta fui para San Telmo tirar fotos da estátua da Mafalda que está em Chile e Defensa, em frente ao prédio em que morou Quino (que hoje vive em Milão). Acabei almoçando num restaurante bem mais ou menos na rua Estados Unidos. A comida não era ruim, mas o atendimento bem lento. E eu tinha aula de Gramática, assim que foi meio estressante. Ontem, por outro lado, voltei ao bairro e almoçamos, junto com dois amigos brasileiros da Stella, no velho e bom Don Ernesto. A comida está muito boa 90% das vezes e o atendimento é sempre excelente.
Depois, passeio por Defensa (eu até gosto mais de ir de sábado, já que os domingos são terríveis), sorvete no Freddo e café no La Poesía (cada vez mais meu café preferido). À noite, casa do cunhado para ver o jogo. Eu gosto muito da seleção argentina, mas falta um cara para armar jogadas ali. Gostem ou não, queiram ou não, o Riquelme faz muita falta nesse time.
Minha novela avança firme e forte: na sexta, depois da aula de inglês (contei que voltei a estudar inglês num curso especial sobre gramática?) sentei no Café de los Angelitos e escrevi mais dois capítulos da saga baterística.
Voltei à Eterna Cadência na terça-feira para ver uma palestra sobre livros de ficção científica. Não sou fã do gênero, mas gosto de alguns paradigmas (como o das viagens no tempo) que são bem comuns nesses livros. O cara que fez a “charla” é bem legal. Entende dessas questões porque é físico. E eu fui caminhando os cinco qiuilômetros que me separam da livraria.
Na quarta, jantamos com Martín Kohan na “parrilla” preferida dele. Parece que seu novo livro será publicado em março, mas não me lembro (ou acho que ele não falou) por qual editora. É uma história autobiográfica, mas romanceada, sobre uns problemas que teve com inquilinos em um apartamento que estava alugado (mas que é onde ele mora hoje).
De resto, passei a semana começando a organizar minha viagem para o Brasil que, se tudo der certo, acontecerá entre 25 de setembro e 8 de outubro, e incluirá o aniversário da minha mãe, uma viagem de 2 dias para o Rio (rever amigos e conversar com alguns editores), uma visita a minha tia-avó que está doente em Amparo (interior de São Paulo), além de encontrar todos os amigos e visitar editores paulistas. Uma correria, mas acho que vai dar certo.
Fora que quero renovar a carteira de motorista nesse meio tempo. Como os preços aqui estão baratos e há lugares bem legais na província de Buenos Aires, queremos tirar uns fins de semana, alugar um carro e partir por essas estradas perigosas da Argentina – Workin’ Them Angels. Com outro casal, ainda ficaria mais barato. Estou com vontade de voltar a dirigir, faz muito tempo que pego a estrada (dirigindo, pelo menos). Acho que uns dois anos.
Também meio que já organizei coisas para fazer na volta. É que um de meus cursos termina e estou querendo aproveitar o tempo. Duas coisas que vou fazer quando voltar do Brasil: finalmente começar minhas aulas de harmônica e fazer o curso de culinária indiana, duas coisas que venho adiando.
Sem falar que no ano que vem será minha dedicação ao trekking, mas aí já é outra história. Agora chega que a semana vai ser pesada. Enfrentar a burocracia, ver dois lançamentos de livros, um jantar num restaurante verdadeiramente judeu, inauguração de exposição fotográfica e ainda vou enfrentar uma peña, festa folclórica típica do interior argentino.

e não vai mostrar as fotos da Mafalda, não? só acredito vendo.
Claudinei Vieira
07/09/2009 em 2:27
As fotos da Mafalda estão no Direto de Buenos Aires: http://viajeaqui.abril.com.br/blog/mafalda-san-telmo-193466_comentarios.shtml?8422842
Vai lá!
Barbao
07/09/2009 em 8:51
¿Del 25/09 al 08/10? ¡Qué pena, creo que no vamos a coincidir en SP para tomarnos una birrita! Aún no tengo los billetes, pero creo que justo en esas fechas estaré en España (más o menos del 23/09 al 11/10).
¡Suerte con todo!
José Luis
07/09/2009 em 14:19
Qué lástima, José Luis. Quién sabe todavía las fechas se arreglan.
Suerte
Barbao
07/09/2009 em 14:22
Nossa… e eu vou precisar tirar DNI logo que chegar por aí para me inscrever na UBA, como faz??? O_O
Lulu
09/09/2009 em 16:40
Lulu, minha impressão é que você não precisa ter um DNI pra se inscrever na UBA, se for como aluno estrangeiro.
Barbao
09/09/2009 em 19:22
Bom, eu vou com visto de residência e tudo… espero não ter problemas.
Obrigada =)
Lulu
13/09/2009 em 21:06
Pula a parte da peña folklorica.
Ela
13/09/2009 em 23:29
Olá, quero fazer mestrado em cinema documentário na Universidad del Cine, em San Telmo. Li seu texto e gostaria de saber, por gentileza, se vc poderia me informar se preciso do DNI ou posso ir com visto de estudante estrangeiro. Vc tb saberia se o visto de estudante estrangeiro teria a duração dos dois do mestrado, ou renovo? Muito Obrigada.
Bárbara Cristina
eusoubarbara@gmail.com
Bárbara Cristina
28/10/2011 em 15:12