Moça em chapéu de palha

Menalton Braff
Menalton Braff sempre me surpreende. Depois de ter lido há pouco tempo o excelente A Muralha de Adriano, com sua narrativa mais tradicional e linear, ele nos desconcerta (no bom sentido) com essa Moça.
Eu me interessei pelo título, mas não consegui entender a conexão entre o chapéu de palha e a pintura antes de me embrenhar pela leitura. No livro, Menalton conta a história de Bruno, um jornalista aparentemente de uma cidade pequena que descobre falcatruas de um grande empresário.
O problema é que esse sujeito é um grande amigo do dono do jornal que o impede de publicar suas descobertas (que nunca são reveladas no correr da trama). A partir do choque com o editor do jornal, o livro vai se desenvolvendo a partir da memória fragmentada e muitas vezes repetitivas do jornalista.
Como acabou publicando a matéria de todas as formas (mesmo não ficando claro onde e como), ele precisa se esconder pois gente poderosa o procura e passa os dias num sítio com sua namorada – a pintora que usa chapéus de palha – enquanto escreve um romance (sugestão da namorada) sobre todo o caso de corrupção. Mas o livro que Bruno escreve vai se afastando da narrativa jornalística e ganha toques de ficção. O que causa estranheza em sua namorada.
Aos poucos o livro vai ganhando um toque metalinguístico já que a história que Bruno conta vai se transformando no livro que Menalton está escrevendo (ou vice-versa), com os toques impressionistas que se espalham por todo o texto e fazem a conexão com o título. Eu que havia me encantado com o primeiro livro que li do Braff, o Que Enchente me Carrega?, agora tenho outro na lista dos melhores.
Para mim, Menalton é um dos melhores escritores brasileiros da atualidade. E ele não para, já lançou mais um que felizmente deverá chegar às minhas mão em abril.
