Caderno de Escritura

O diário como gênero literário

Recém-desperto

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Dormir transformou-se em uma questão supervalorizada aqui em casa. Nunca tive problemas para dormir, pelo contrário, mas com uma “ola de calor” absurda que durou uns 9 dias, tivemos de improvisar para conseguir dormir direito. Pelo menos enquanto o ar condicionado não vem (e vai demorar, já que decidimos não ficar nesse apartamento quando o contrato terminar em agosto e instalar um ar condicionado sempre inclui quebras de paredes, etc).

Um dos improvisos é simplesmente dormir nos pés da cama, assim o ventilador de teto fica direto em cima da minha cabeça. Aí compramos outro ventilador portátil, que colocamos perto da cama. Finalmente decidimos que estava quente demais e tomamos coragem para deixar a porta do pátio aberta (espero que nenhum ladrão argentino que atue na região de Caballito esteja lendo isso).

É que a porta do quarto dá direto para um pátio, uma das vantagens de morar no primeiro andar), só que o lugar não é nada protegido: os muros são baixos e até eu consigo pulá-los – imagine então alguém ágil. Mas o calor sempre vence o medo e a noite ficou bem mais agradável.

Nos últimos dois dias, o tempo nublado e um pouco de chuva ajudaram. Talvez não precise mais tomar meus três banhos diários. Quem mais sofre, no entanto, é o pobre Nene. Além de não ter muito bem onde ficar na casa – já que ele odeia ficar embaixo de ventiladores – ainda é a época de troca de pelos. E isso tem só um resultado: vômitos diários de pelos. Mesmo penteando todo dia, atividade que tampouco está entre as preferidas dele.

A solução é um ar condicionado mesmo. Aliás, cheguei à conclusão de que Buenos Aires é uma cidade agradabilíssima para todo mundo durante 8 meses do ano. Quem odeia o calor excessivo, não deve vir em janeiro e fevereiro. Quem odeia o frio excessivo, em julho e agosto. No resto do ano, aqui é o paraíso.

OK, mas o que isso tudo tem a ver com o título do post? Nada, a não ser que realmente estou escrevendo logo depois de acordar porque hoje foi o aniversário da minha concunhada e o almoço se estendeu até as 17h, com as devidas cervejas. Aí é demais querer chegar em casa e fazer qualquer outra coisa que não seja dormir. Ainda mais com uma temperatura agradável.

E o pior é que precisava trabalhar um pouco, afinal há uma tradução para entregar amanhã. Lá vou eu trabalhar 18 horas na segunda-feira. E uma segunda especial, ainda por cima. O último dia de trabalho antes das férias. Sim, isso mesmo, terça de manhã partimos para Gualeyguachú. Vamos ficar nessa pousada http://www.posadadelpuerto.com.ar/, que parece ser bem legal. Acho que nem Ela conhece muito bem a região de Entre Ríos, a província ao norte de Buenos Aires e que faz divisa com o Uruguai.

Não tem praia de mar, mas tem praia de rio. E falam que é o único carnaval minimamente parecido com o brasileiro, o que nem sempre é algo bom, para dizer a verdade. Por sorte a pousada está a 20 minutos de carro de centro. Isso é o melhor: ver o carnaval de longe. Na verdade, estou só levando livros e o netbook, para checar email de vez em quando. Ok, vou trabalhar um pouquinho, mas só coisas divertidas. Prometo. Estou com tanta vontade de viajar que nem estou preocupado em perder a volta de Lost no dia 2. Semana que vem, baixo o episódio e tudo bem.

Aliás, em termos de trabalho, estou muito contente. As editoras que pagam mais, estão contentes com minhas traduções e continuam mandando livros. Agenda cheia até junho e com o objeitvo de manter julho livre. E, por falar nisso, com esse tempo livre, prometo atualizar o Barba’s Book Club na semana que vem.

Também falando em livros, comprei alguns de literatura brasileira na Fnac e minha irmã, que chega dia 18 de fevereiro, vai trazer pra mim. Além de uma panela de pressão que Ela comprou também. Incrível descobrir como são mais baratas as panelas de pressão no Brasil! Tem a ver com a falta de costume de comer feijão dos argentinos. Algo que aos poucos, nós estamos mudando. A senhora que limpa a casa uma vez por semana, já nos disse que sente falta de feijão junto com o arroz quando prepara a comida em sua casa. Claro que “regalamos” um quilo de feijão para ela. Agora faltam só os outros 29.999.999 argentinos para converter.

Apesar de tanto trabalho, já preparei um roteiro interessante para minha irmã e vou conseguir ficar os 5 dias com ela. Guia turístico mesmo. E também estou me preparando para o Ano Novo Chinês, que começa no dia 14, pleno Carnaval. Vou passar o dia no “Bairro Chino”.

Com essa viagem a Gualey (para os íntimos), pretendo começar uma nova seção aqui no blog, vejamos se tenho pique e tempo para todas as mudanças que quero fazer. Bom, acho que é isso. Essa semana não gostei de nenhuma foto que tirei, então o post é “foto-free”, vejamos as que vou tirar na viagem.

Coloquei alguns posts legais no Direto de Buenos Aires, vejam lá.

Escrito por Marcelo Barbon

01/02/2010 em 1:35

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Não existe inteligência acima dos 35º

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Foi a minha conclusão nessa semana. Os prazos estão se afunilando e eu quero cumprir com todos meus compromissos até esta semana que entra. Por quê? Porque na semana seguinte, a primeira de fevereiro, vamos viajar. Sim, finalmente.

O objetivo original era ir para o Uruguai, mas tivemos um pequeno entrevero e um exagero de exigências. Ela queria um hotel a poucos quarteirões da praia E com piscina. Existem, claro que existem, mas dá para imaginar como são mais caros. OU com piscina OU perto da praia, foi o meu ultimato.

Resultado: vamos para outro lugar. Uma cidade com um nome estranhíssimo chamado Gualeyguachú. Fica perto do Uruguai, numa província chamada Entre Ríos, a pouco mais de 200 km de Buenos Aires. Além de ficamos num spa muito bom e com preços razoáveis, ainda estamos perto de praias fluviais. Outro atrativo é que o lugar é a única cidade argentina com um verdadeiro carnaval.

Não que isso seja algum atrativo para mim, pelo contrário, estou com medo de passar os dias ouvindo axés e sambas. Espero que não. Geralmente quando dizem carnaval aqui na Argentina, estão falando de murgas e outros ritmos (que não deixam de ser chato). Vamos ver no dia 2 de fevereiro, quando pegamos o ônibus.

Grandes mudanças essa semana: estávamos guardando uma grana para trocar meu computador, mas realmente o Dela estava bem mais detonado. Por isso, ontem fomos aqui numa loja chamada Compumundo e saímos com um notebook novinho da Asus – olha que eu até gostei de mexer no Vista (será que vou ser punido por esta heresia?). Eu acabei herdando o HP antigo que Ela usava.

Estava muito lento, mas como eu só uso o Office nele, não tem grandes problemas. Eu trabalhei durante vários anos no Office do Mac (e não venham me falar que o Pages é melhor porque eu posso gritar e espernear, mas o Word é quem domina o mercado, fazer o quê?), mas o do Windows é bem mais avançado e o dicionário em português é muito melhor.

Então, trabalho nas traduções no Windows e faço o resto no Mac (inclusive atualizar este blog). Outra coisa que precisei comprar na sexta-feira foi um ventilador portátil, porque só o do teto não dá conta. Não dá para ter ideia de como aqui é abafado. Ainda mais porque estamos no primeiro andar, e a circulação do ar não é grande coisa. Quando mudarmos daqui, vou escolher um apartamento alto, a altura é mais importante do que ter um pátio.

Outro que sofre demais com o calor é o gato. Passa os dias jogado no chão. A ideia é que quanto menos se mexer, menos vai produzir calor. A maioria dos apartamentos do 1º andar, como o nosso, deixa as portas da sala abertas, para que se forme uma corrente de ar. Seria ótimo se o Nene não fosse um curioso, louco para sair explorando o corredor. Cada vez que abrimos a porta para sair, ele dá uma escapada e se lança, aventureiro, pelo corredor.

Na maioria das vezes, volta correndo ao som do elevador – que é bem barulhento. Mas já tentou entrar nas portas abertas do vizinhos.

Ontem, quando a temperatura caiu para uns 28º (e isso é motivo para comemorar), fomos ao Green Bamboo, um restaurante vietnamita em plena Palermo Hollywood. Fomos com a Gisele e o Eduardo, casal brasileira-argentino que conhecemos aqui (o blog da Gisele está aqui ao lado). E a resenha do restaurante também já está no Direto de Buenos Aires.

Ah, e o crescimento das visitas ao blog foi de 38% de novembro para dezembro de 2009 (quando falo blog, estou falando do Direto… não do Caderno). Estou até pensando em voltar com o Twitter do Direto, agora que tá cheio de brasileiro aqui.

Na preparação para o ano de 2010, estou pesquisando umas oficinas literárias. O objetivo é ter alguém corrigindo e criticando meus textos em espanhol. É a única forma de melhorar minha escritura. Também estou esperando a abertura dos cursos de Redação e Revisão na Fundação Literae, que dá cursos para estudantes nativos de espanhol. Nada de espanhol para estrangeiros, que estão em geral muito abaixo do meu nível (e não falo isso para me vangloriar não).

A semana foi estranha também em relação ao emprego Dela. Na verdade, o dono de uma das duas escolas em que Ela dá aula não está bem das pernas e precisou mandar quase todos os professores embora. E o mais impressionante é que nunca houve tantos estrangeiros aqui querendo estudar. O cara é que é meio nó cego mesmo. Bom, ficamos vários sem saber se Ela ficaria sem emprego. No final, o dono decidiu demitir todo mundo menos Ela. Veremos agora se ele tem dinheiro para pagar direito o salário.

No capítulo musical, fomos assistir ao show de David Lebon, um dos músicos com mais trajetória do rock argentino. O cara está aí desde os anos 70 quando fez parte do Serú Girán, uma das bandas do famosíssimo Charly García. Aliás, essa banda nasceu no Brasil, no final dos anos 70 quando Charly se apaixonou por uma brasileira e foi morar em São Paulo. Essa brasileira ficou com ele até 91, mais ou menos.

O show faz parte de uma série de atrações de verão que acontecem pela cidade. E eu, com meu excesso de trabalho, estou perdendo quase tudo, claro. Mas em fevereiro vou recuperar o tempo perdido. E aí vou ter mais coisas a contar neste blog.

Entre as fotos, uma da livraria Fedro, excelente local em San Telmo – palco de bons eventos que retornam em março -, local de moradia de Morrissey, um lindo gato negro. Na segunda foto publicada, um caso explícito de traição: Ela e Morrissey, quero ver explicar-se para o Nene. (O livro do Jorge Amado em espanhol foi mera coincidência.) A última foto é no Green Bamboo.

Escrito por Marcelo Barbon

25/01/2010 em 1:39

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Despedidas temporárias

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Na sexta, pela primeira vez em quase dois meses, fui passar a tarde no centro. Sim, tenho prazos a cumprir, livros a entregar, etc. Mas precisava relaxar um pouco. E ajudou ver a previsão do tempo: no fim de semana e, aparentemente, até terça, as temperaturas vão ser destruidoras. Sensações térmicas passando dos 35º. Assim, preferi ir na sexta; fazia calor, mas era “aguentável”.

E uma das pixações mais interessantes que vi foi: “No a la heterosexualida obligatoria”. Não me lembro onde vi e fiquei com preguiça de tirar a câmera. Gostei porque dá uma outra visão à questão da homossexualidade, tão importante aqui por causa do primeiro casamento gay legal da América Latina. O casamento dos dois chicos era para ter acontecido em Buenos Aires no começo de dezembro. Mas uma ordem judicial, feita por advogados fundamentalistas católicos impediu. O prefeito daqui acatou a decisão (sem apelar) e os dois foram chamados pela governadora da província de Tierra del Fuego, a mais extrema do país, que autorizou o casamento. Finalmente, eles se casaram no começo de janeiro, se não me engano.

Claro que os advogados (nem um pouco por acaso, os mesmo que defendem alguns torturadores remanescentes da última ditadura) entraram com pedido de anulação. As decisões a favor do casamente falam na mera mudança na constituição, onde se lê: “um homem e uma mulher”, leia-se “duas pessoas”. É incrível o que alguns fazem para impor sua visão de mundo ao resto.

Aproveitei, então, a sexta livre para ir até o Consulado brasileiro. Minha ideia era transferir meu título de eleitor para cá. Acontece que é preciso um monte de documentos, com xerox, atestado de residência (que aqui é dado na polícia); resumindo: acho que vai ser muito mais fácil simplesmente esperar as eleições, ir até o consulado e justificar minha ausência.

Isso porque nem título eu tenho, votava sempre com o RG. Se não fosse obrigatório votar ou justificar para renovar o passaporte, eu nem isso fazia. Já contei que hoje em dia sou mais anarquista que qualquer outro “ista” que possa existir?

Também me encontrei com Ela e fomos comprar seu presente de aniversário (que foi ontem, dia 9). Todo aniversário ou data que envolva presentes é uma briga aqui em casa. Isso porque Ela, talvez fruto de algum trauma infantil, insiste no fator “surpresa” do presente. Mesmo quando cria uma listinha de 3 ou 4 possíveis candidatos a presente. Isso é uma “surpresa”, para Ela! Bom dessa vez ela queria um relógio. E aí não dá, né? Escolher um relógio para alguém que na verdade não usava relógio era uma tarefa hercúlea demais para mim. Depois eu escolho errado e ficamos todos com cara de bunda.

Tentei ainda encontrar uma agenda Moleskien 2010 para mim, mas simplesmente não existe em Buenos Aires. Não entendo porque não há Moleskines aqui. Bom, os cadernos até que se encontra na loja do Malba, mas as agendas… Acho que vou ter de me contentar com uma agenda qualquer.

A noite de sexta ainda foi marcada por crimes violentos e paixões assassinas. Junto com três amigos(as) Dela fizemos o passeio “Buenos Aires Misteriosa”, uma viagem de ônibus de umas 2 horas pela zona sul portenha com uma narradora que vai contado os principais mistérios, crimes e alguns fantasmas que são parte da história da cidade. Depois, jantar no famoso Chiquilín, restaurante tradicional da área do Congresso.

Na quinta, tiramos essa foto:

Na despedida do Sr. Bragança de Buenos Aires. Fiz questão de levá-lo para conhecer o Martita, excelente bodegón no bairro de Boedo. Aproveitei para conhecer a Sra. Bragança Madre, muito simpática. O Sr. Bragança já prometeu voltar no carnaval e se acabar numa murga. Vamos ver!

No sábado, dia oficial do aniversário Dela, almoço na Eterna Cadência com as mesmas amigas(os) que sobreviveram à noite de terror da sexta e à noite, jantar com a Mãe Dela num suposto excelente restaurante que existe aqui no nosso bairro de Caballito. Suposto porque na primeira vez que fomos, a comida estava ótima, ontem estava mais ou menos. Restaurantes sofrem do mesmo problema que sites na internet: quanto mais famosos, mais buscados e mais problemas de manutenção, mais é preciso investir. Deve ser isso.

Hoje, depois de toda essa semana jantando e almoçando em restaurantes, o máximo que me desloquei foi até a banca de jornais. Também ninguém merece sensação térmica de 36º (mesmo depois da chuva!).

Como o calor está forte, o trabalho está premente e o cansaço está ainda dominando, decidi que vou tirar umas férias da minha escritura até o carnaval. Afinal, todos dizem que o ano só começa depois dele mesmo. Vamos levar ao pé da letra. Por isso, durante o mês de janeiro vou me dedicar a editar o Anatomia (e o Anatomía) que já está pela metade. É o primeiro livro escrito simultaneamente em português e espanhol; e fazer essa parada para manutenção é bom, para sentir como anda o livro. Já via algumas coisas a serem reescritas, para dar maior coesão ao texto. Realmente é algo que vale a pena fazer, mesmo antes de terminar.

Estou também revisando com muito cuidado uma tradução que fiz em 2007: o livro de contos “Azul”, do nicaraguense Rubén Darío. Fiz, deixei esquecido no meu HD por esses anos e agora meu ex-sócio na Amauta e atual editor da Demônio Negro, Vanderley Mendonça quer publicá-los. É um livro histórico, espero que minha tradução esteja no nível.

Esta semana que entra precisaria encontrar algum tempo (mas vai ser difícil) para pesquisar os preços de um notebook. É que preciso trocar o meu que já é um ancião no timeline dos notebooks. Ainda mais quando o clima fica semi-saariano como agora, ele falha, mostra a bolinha colorida, simplesmente se recusa a me obedecer: um caos. Como há umas 4 lojas que vendem Mac, preciso fazer uma boa pesquisa. Mas, e tempo?

Eu reclamo, mas na verdade, estou me obrigando a trablhar mais agora, porque vou tirar uma semana de férias em fevereiro (e vou para Montevidéu), além de reduzir bastante o trabalho depois do carnaval, quando minha irmã está prometendo vir para cá. Vamos ver se tudo isso dá certo. Mesmo com essa quantidade de trabalho, não quero deixar de participar de algumas atividades do Verão de Buenos Aires. Leitura de poemas em museus, milongas nas praças e shows em dois parques, são meus favoritos. Também voltaram as praias artificiais. No entanto, além de longe pra caramba: uma está a 13 km, a outra a 8 km da minha casa, eu me pergunto: se não curtia as praias naturais do Brasil, vou me enfiar em artificiais aqui? Era só o que me faltava.

Hummm, terminando porque ninguém vai ler tudo isso mesmo: continua a campanha da Revista Ficções. Entre em http://www.revistaficcoes.com.br/conto.php?cod=164, leia o conto e deixe um comentário! Vai ser muito legal ver o que vocês acham desse conto bem estranho.

E, para quem ficou pensando que não haveria foto essa semana, aqui vai a frente da Igreja de Santa Felicitas, onde supostamente habita um fantasma, no bairro de Barracas.

Escrito por Marcelo Barbon

11/01/2010 em 1:32

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Bebidas, comidas, rock ‘n’ roll e reveillon

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As festas de fim de ano são muito cansativas, isso é bastante evidente. É preciso comer um monte, beber ainda mais para equilibrar, dar e receber presentes; comprar presentes, antes, claro. E ainda juntar os restos nos dias seguintes e começar tudo de novo.

Eu posso dizer que me diverti um bocado nesse final de ano. Foi o primeiro fim de ano passado na Argentina pós-mudança. Claro que já tinha passado finais de ano aqui, mas era sempre como “turista”, não como “residente”. E em 2008, eu voltei para o Brasil. Assim que foi uma nova-velha experiência.

As festas de final de ano na Argentina são basicamente familiares. Nada de queima de fogos em Copacabana ou shows na Paulista. Com certeza, depois da passagem do ano, há várias festas e baladas, mas isso é para gente jovem. É algo que falta em Buenos Aires, uma festa aberta que possa servir para turistas, gente sem família ou solitários em geral. Podem deixar que já anotei na minha plataforma de prefeito (contei que vou concorrer no futuro?).

Mesmo sendo fim de ano, natal, ano novo, tempo de paz, amor e união, blablabla, precisei trabalhar. Os prazos da traduções são terríveis e não me deixam em paz. Ainda por cima, precisei abrir espaço para passar uma semana de férias em fevereiro e também deixar tempo livre para duas visitas importantes em fevereiro. Assim que é preciso trabalhar mais pesado por agora e ter tempo para os amigos mais adiante.

Quanto às férias d’Ela em fevereiro (Ela tira férias, eu só acompanho), estávamos muito a fim de conhecer um lugar diferente, mas no final optamos por fugir do calor e aproveitar a praia. Então, em vez de Asunción no Paraguay, vamos a Montevideo no Uruguay (nomes aqui são deixados no original em espanhol). Para quem não leu meus posts anteriores e não sabe que Montevideo tem praias super-legais, fica a dica.

Então, primeira semana de fevereiro pego o barco para cruzar o Río de La Plata. Em seguida, há a promessa da visita do Beto Guimarães e depois da minha irmã. Digo promessa porque conheço a figura que muda de planos mais do que muda de roupa, então não boto muita fé (sim, é uma indireta, ele vai ler isso).

O bom das últimas duas semanas é que, apesar de trabalho, de bebidas em excesso (e consequentes ressacas) e longas sonecas para ajudar na digestão de quilos infindáveis de comida, consegui ler bastante. Terminei Inside Out, história do Pink Floyd; El Silenciedo, clássico incrível do argentino Antonio Di Benedetto e comecei o último da portuguesa Inés Pedrosa. Ou seja, em pouco tempo, uma atualização do Barba’s Book Club.

Por falar no Book Club, daqui a um mês começa a última temporada de Lost (de onde tirei a ideia de um Book Club). Ansiedade total para assistir ao final da série. Meu pessimismo diz que eles não vão conseguir desemaranhar todas as complicações que ficaram 5 anos criando. Vamos ver.

Opa, esqueci de algo muito importante: os presentes. Ganhei um CD que queria há um bom tempo, a Suíte Troileana de Astor Piazzolla. É um disco dos anos 70 e a banda que acompanha o bandeonista é uma das poucas formações de tango que tem um baterista! Por isso, me interessei. O mais inacreditável do Natal foi receber um presente do meu sobrinho Daniel. Ele tem apenas 11 anos, mas comprou – com seu próprio dinheiro economizado durante o ano – presentes para todos os parentes! Fiquei tentando lembrar o que eu fazia com o pouco dinheiro que tinha aos 11 anos e não me lembro de ter comprado porcaria nenhuma para ninguém a não ser eu mesmo.

Outra banda de tango com baterista é a Tango en Tres, que conheci há pouco e ainda não tive a oportunidade de ver tocando ao vivo (eles deram um show de despedida do ano no Perro Andaluz em San Telmo, mas eu fiquei sabendo no dia anterior).

Mas tem esse vídeo deles aqui:

As fotos que ilustram esse post foram tiradas hoje mesmo, durante uma visita à Fragata Sarmiento, que era parte da marinha argentina no século XIX e agora é um museu e está ancorada em Puerto Madero.

Depois disso, uma parada estratégica num restaurante francês em Montserrat, o Petanque – que é o nome de um jogo similar à nossa bocha -, mas isso é assunto para a nova seção que será iniciada logo.

Essa semana é a derradeira do grande Túlio Bragança, tenho um jantar num bodegón marcado com ele, cuja presença será sentida por esses lados (sorte dos curitibanos). Vida longa aos Aires Buenos!

Escrito por Marcelo Barbon

04/01/2010 em 0:40

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Estou vivo (de novo)

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Não é fácil reviver depois de uma temporada cansativa de trabalho. E o pior é que demora muito tempo para conseguir desestressar. A gente fica pensando: “ah, na sexta-feira, entrego minha última lauda de tradução e no sábado posso voltar a fazer tudo que não deu tempo”.

Mas não funciona assim. Porque chega no sábado e você está tão cansado, tão sem forças, abatido, que passa um dia inteiro em total letargia. E essas coisas sempre se combinam com o momento em que a temperatura ultrapassa os 30º. Por sorte, nosso quarto agora tem um refrescante ventilador de teto. Passei um dia sob este meu novo amigo (agora vamos colocar um na sala, que é o único lugar ainda abafado), lendo “com o coração” (traduzindo, lendo algumas páginas e deixando o livro cair sobre o peito enquanto os olhos se fechavam).

Apesar de não ter tido muito tempo para sair de casa, publico aqui algumas fotos (a primeira tirada no aniversário do meu sobrinho (mas não é ele na foto, senão minha sobrinha com seu gato). As outras são da Casa Rosada, que visitei na semana passada. Entre o final de novembro e o começo de dezembro, meus dois sobrinhos “chico” fazem aniversário. Um fez 11 e o outro 19. Para o mais “chiquito” comprei uma guitarra do Guitar Hero, acho que ele gostou. Ah, ahã, eu também! Quase cheguei àquele velho diálogo:

- Ei, tio, posso jogar agora?

- Cala a boca, moleque. Não vê que tô ocupado?

De trás para frente? Ontem foi a Noche de las Librerías. Confirmando sua vocação literária, Buenos Aires fechou de novo sua avenida principal para permitir que as pessoas comprem livros. Eu comprei 6 e esqueci do 7º (vou comprar essa semana). Uma editora, com o apoio do governo, publicou um El Libro de los Libros, com uma listagem de todas as livrarias da cidade. Algo parecido com um Guia dos Sebos que saiu uma vez em São Paulo.

Descobriram que há 373 livrarias só em Buenos Aires (mas o editor, ontem no lançamento, avisou que já descobriram mais duas que não foram contadas, o que leva a crer numa “versão atualizada” no futuro). Gostei muito da ideia porque também inclui informações como especialidades, história, importância na vida cultural e literária, etc. E ainda tem uma versão em inglês (vou entrar em contato com o editor e propor uma versão em português no futuro).

Ah, claro! Uma lista das minha aquisições (que devem aparecer futuramente no Barba Book Club). Como vocês verão, dei prioridade à literatura argentina.

Parte doméstico – Oliverio Coelho
La condición efímera – Néstor Sánchez
Glaxo – Hernán Ronsino
La operación Masotta – Carlos Correas
Piquito de oro – Gustavo Ferreyra
Peter Capusotto, El libro – Peter Capusotto

Este último é um dos mais engraçados humoristas daqui. Tem um programa na TV Pública e na Much Music (concorrente que tem “much more music” que a MTV) onde cria personagens de rock e tira um sarro de todo mundo.

Coloco os vídeos do cantor roqueiro-político Bombita Rodriguez, a mistura de letras revolucionárias com os rocks dos anos 60 mais simplistas:

Ou um dos meus favoritos com Nicolino Roche, um roqueiro que abusou um pouco de pílulas e outros fármacos:

Entre os shows de verdade, fomos, no último sábado, ver o encerramento do ano de Andrés Calamaro. Um dos cantores e guitarristas mais famosos daqui, também muito reconhecido na Espanha, onde viveu durante a década de 90. Não está entre os meus favoritos do rock em castelhano, mas Ela é uma super-fã. Assim que, como bom marido, lá vou eu aguentar 3 horas em pé ao ar livre. Por sorte estava uma noite muito agradável.

Na parte triste destes dias longe do blog, certamente, uma das coisas mais chatas foi a despedida de Don Túlio Bragança (que está aqui ao lado, na área de links, mas que deve abandonar seu blog) que volta ao Brasil no próximo dia 23. Vai morar em Curitiba e deixar saudades por essas terras portenhas. Suerte, Don Túlio!

Mas, como tudo termina em bebedeiras, fomos na sexta tomar várias com ele e outros amigos (acabei encontrando in loco gente que conhecia via internet) no Troquet de Henry, um bar legal ali em Abasto. E antes tinha ido na festa de encerramento do ano do CUI onde Ela dá aulas. Um jantar numa escola muito linda, ali no bairro de Once. A arquitetura é incrível, lembra um palácio.

Claro que não dá para falar de arquitetura e não comentar as fotos e o passeio que fizemos pela Casa Rosada. O palácio do governo fica aberto durante o fim de semana, para visitação grauita de turistas. Vale a pena. Das muitas fotos que tirei, escolhi essas três – as outras, com uma explicação do passeio, todos podem ver no Direto de Buenos Aires (links à direita).

O blog, aliás, completou 1 ano de vida. Fui pesquisar para descobrir quando o primeiro post entrou no ar e vi que foi no dia 10 de dezembro de 2008. Essa data é especial por um motivo: é a data que comemoramos – Ela e Eu – nosso aniversário de casamento. Que em 2009 chegou aos 15 anos. Uau, sem mais comentários.

Na seção “visitas a Buenos Aires”, vieram a Marizilda (mãe do meu über amigo B-o-B (não caiu o trema em alemão também?) e a Robs e seu novio Davi, com quem comemos uma pizza ontem no Los Inmortales (recomendadíssima, aliás), depois de gastar os tubos nas livrarias de Corrientes. Era para termos jantado também com a Gisele e o Eduardo, mas eles se perderam na multidão que tomou conta da avenida.

E hoje atualizei o blog mais cedo porque vou para um café, tentar colocar em dia todo o atraso da minha escritura. Uma vergonha. Faz mais de um mês que nem toco no “Anatomía de un Solo de Batería”. E queria terminar antes do fim do ano, não vai dar!

Ah, meu romance Anna está na mão de tantos editores que algum deles deve gostar, não é possível (fundo musical de violinos com frases soltas de autoajuda para me animar).

Escrito por Marcelo Barbon

20/12/2009 em 21:17

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Meu novo time do coração

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É o La Aguada, melhor time de polo do país – e consequentemente do mundo, já que este é o campeonato mais importante que existe. E não estou brincando: fui conhecer o ranking de jogadores (apesar de ser um jogo de equipe, os pontos são contados individualmente) e dos 30 melhores do mundo, 27 são argentinos.

Depois dos desastres do futebol no Brasil e aqui na Argentina, melhor é acompanhar o campeonato de polo. Fomos ontem, sábado, depois de 3 dias de adiamentos por causa da chuva. Que, aliás, está impressionante. Faz mais de uma semana que não para de chover. Até parece São Paulo.

Estou terminando uma das traduções que preciso entregar até o final do ano. E, enquanto isso, começam a aparecer outros livros. Resumindo, tenho trabalho até maio, no entanto depois de janeiro, com prazos mais tranquilos e deixando tempo livre para outras coisas, como deve ser.

A melhor notícia é que passei pelo “teste do primeiro livro” na Record. Não há melhor coisa que ser chamado para traduzir o segundo livro. Significa que aprovaram seu trabalho. E a Ediouro parece que saiu do marasmo que a dominou em 2009.

Que 2010 venham muitas traduções, afinal preciso comprar meu apartamento aqui em Buenos Aires, não?

A nota ruim é que não vamos para o Brasil em janeiro. Afinal, o treinamento que Ela ia dar em São Paulo não vai mais acontecer, assim que vamos encarar o calor aqui mesmo. Talvez com uma semana no Uruguai, se as escolas em que Ela dá aula entrarem em recesso. Senão, continuam os planos para Assunção em fevereiro.

No quesito trabalho, vou fazer minha primeira tradução para a National Geographic, a melhor revista e uma das poucas que ainda tenho vontade de ler. Consegui o contato através do pessoal da Viagem e Turismo, claro.

Apesar de a Amauta ter entrado em fase congelamento criogênico por tempo indefinido, continuo conversando bastante com o Vander e agora, pelo selo Demonio Negro, ele vai publicar uma tradução minha, do livro Azul de Rubén Darío, um dos escritores mais importantes do século XIX latino-americano (talvez o mais importante). Eu recuperei essa tradução, que era um projeto da Amauta e agora ainda preciso dar uma bela revisada, antes de mandar para ele.

Infelizmente, não haverá uma atualização do Barba’s Book Club em novembro. Só consegui ler um livro inteiro no mês, uma vergonha.

Para não ficar tudo tão chato, pelo menos dei uma atualizada nos links de blogs que leio. Sugiro darem uma olhada no blog do meu parceiro de traduções, André Takeda, e no blog do Sergio Chejfec, grande escritor argentino.

Escrito por Marcelo Barbon

30/11/2009 em 1:28

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O futuro da (minha) literatura

com 2 comentários

Muitos me dizem: “mas você não é agressivo com seus livros”. E é verdade, sempre tenho um grande pudor. Quer dizer, eu sempre estrou entregando meu livro para quem chego a conhecer. Enviei para todo mundo que tem alguma relação com literatura, a maioria dos meus amigos tem o livro, etc. E muitos editores têm os inéditos de Esquecimento e Anna.

Mas não sou tão bom para falar de mim mesmo, como era quando tinha a Amauta e publicava o livro dos outros. Para começar, acho que o Acaricia meu Sonho tem várias coisas boas, mas não é um livro perfeito. Por outro lado, como já fui editor, sei como é chato escritor insistente. Tudo isso, para falar que, de alguma forma, vou colocar uma menção ao Acaricia Meu Sonho, primeiro e único (até encontrar um editor) romance que escrevi e publiquei. Também quero colocar aqui, de alguma forma, os outros livros que já terminei, para que as pessoas leiam. Será que um PDF para download? Quem estiver interessado e tiver ideias, manifeste-se.

O Antônio Xerxenesky, que encontrei pessoal e brevemente, aqui em Buenos Aires, há pouco mais de um mês, (mas a quem conheço há um pouco mais de tempo via e-mail, gtalk e twitter) escreveu uma mini-resenha sobre o Acaricia em seu blog. É a famosa “massa crítica” sendo criada aos poucos; já que jornais e revistas não se prestam a isso, usemos a internet mesmo.

Ninguém notou, mas nas duas últimas semanas, não consegui atualizar o blog. Preguiça, calor, mas principalmente muitas, muitas páginas de tradução. Ainda mais me enrolei durante a semana e precisei trabalhar no domingo, dia que pretendia deixar como exclusivo para passear e escrever aqui.

Como compensação, vou colocar algumas fotos legais que tirei nesse período. Pretendia criar novas seções para se juntar ao Book Club, mas fica para outra hora. E o Delfin me deu uma ideia que vou tentar implementar, facilitando a navegação, deixando tudo mais bonito e divertido.

Hoje fomos até o Campo Argentino de Polo. Fica bem em frente ao Hipódromo. A ideia era ver a nossa primeira partida de polo na vida. Mas não foi possível. Como chove desde sexta (não direto, mas com frequência), as partidas foram adiadas. E o pior é que disseram que serão realizadas na quarta e quinta. Vamos ver se vai dar para ir. Senão, vai ser um pé no saco recuperar o dinheiro do ingresso, etc.

A primavera chegou com tudo em Buenos Aires, quase não faz mais frio e eu mudei meu escritório para o “rincón” do verão. Antes de chegar o inverno, minha mesa de trabalho estava na ex-varanda. Explico: era uma varanda, aliás ainda é na maioria dos outros apartamentos. Mas o dono daqui fechou todo com janelas, transformando-o num pequeno aposento. Coloquei umas poltronas e minha mesa de trabalho. Só que no inverno, esse cantinho não esquenta tanto, está um pouco distante do calor da fake-lareira. Por isso, mudei minha mesa para a sala, perto da mesa Dela.

Como agora, a fake-lareira vai ficar desligada por uns 7 meses, resolvi voltar para a ex-varanda, que ainda tem um ventilador de teto para ajudar. A única coisa ruim é que o calor também traz pernilongos. Deve ser o rio perto, mas como tem pernilongo nesse lugar – aliás, não existe um nome específico para pernilongo aqui, é tudo “mosquito”. O mais legal disso é que eu adoro essa história de ter certas “tradições” conectadas à mudança de estações. Por exemplo, decidi que todo ano vou deixar a barba gigante durante o inverno, tirando tudo com a chegada da primavera. Ainda não tenho certeza do que farei de diferente no verão, mas tenho uma ideia.

É que li tantos livros escritos por europeus, americanos e argentinos falando sobre as mudanças de estações e, vivendo em São Paulo, onde – vamos falar a verdade – as mudanças são mínimas (e estão cada vez menores), isso é muito legal.

Ontem fomos a um bar muito interessante aqui (não o lugar em si, mas como palco de vários shows alternativos), chamado Ultra. Fica bem no microcentro, com shows quase diários que vão de psicho-folk a rock. O palco é pequeno, sendo ideal para shows mais intimistas e acústicos. Fomos assistir a um cara que usa o apelido de El Soldado. Já foi roadie dos famosíssimos Redondos. Eu gostei.

Dentre as poucas atividades lúdicas que realizei (já contei que estou até aqui de traduções?), a mais interessante foi a Noite dos Museus que aconteceu no sábado passado. Resolvemos ficar por San Telmo, claro. Gostei muito de ver a cidade tomada por um monte de gente interessada em visitar museus. Não é algo que se vê todo dia. A Noite dos Museus é algo parecido com a Virada Cultural em São Paulo. Mais espalhada, no entanto, e com a participação de 150 museus e casas de cultura. Sim, esse é o número. Para ver o tamanho da diversidade cultural de Buenos Aires.

Fomos ao Museo de la Ciudad, um velho casarão de 4 andares em plena rua Defensa e depois ao Museo Carcerario, em Umberto Primo, a uma quadra da Praça Dorrego. Nesta antiga prisão estava ocorrendo um show de tango com alguns casais mostrando seus malabarismos na “coisa mais erótica que se pode fazer com roupas” que é como alguns descrevem a dança.

Fomos acompanhados pela Gisele – do blog Aquí me Quedo, nos links aqui ao lado – e seu marido. Ficamos invejando o apartamento deles que fica na esquina de Defensa e Estados Unidos, em pleno San Telmo. Já está mais do que decidido que, ao acabar o contrato aqui nesse nosso apartamento, vamos nos mudar para aquele bairro.

Também consegui encontrar um tempinho para tomar um café com o Ronaldo Caggiano, poeta e escritor, que esteve aqui acompanhando a esposa numa férias junto com um congresso de psicologia.

No lado profissional, saiu o livro sobre o John Lennon que traduzi com o André Takeda. Já está à venda, abaixo a capa. E eu terminei minha primeira tradução para a Record, enviei para a editora e espero que eles tenham gostado e que me passem muitos outros livros.

Terça-feira vou buscar o resultado de mais um teste para ver como anda essa diabetes, mantenho o regime, diminuí 3 quilos, alguns centímetros na barriga e mais sério nos exercícios. Estou gostando de uns esportes menos óbvios. Aqui na Argentina há vários esportes pouco ortodoxos para os brasileiros que são bem populares. Além do polo, há o hóquei sobre a grama, o críquete e o rugby. No polo, dos 20 melhores jogadores do mundo, 19 são argentinos!!!

Tudo isso para dizer que eu e Ela estamos pensando em entrar num clube aqui perto de casa onde se treina tênis de mesa, também conhecido popularmente como pingue-pongue (ou ping-pong). Não, não é brincadeira! E quem começou com essa história foi justamente Ela. Como fazemos 15 anos de “ajuntamento” em 10 de dezembro, perguntei o que ela queira ganhar. Resposta: uma mesa de pingue-pongue. Até cabe na sala (se não tiver mais nada), mas não sei se vai rolar.

Eu queria jogar croquet – acho muito engraçado esses martelos – mas não encontrei nenhum lugar aqui para jogar, por isso vou ficar no golfe mesmo. Uma aula em dezembro, vamos ver como me saio.

Para finalizar, uma boa notícia: pelo segundo ano seguido o mesmo resultado para a visita ao dentista – nenhuma cárie.

Fotos:
1. Bi-Won – restaurante coreano
2. Citroen 2CV
3. Pipa nos Bosques de Palermo
4. Tango no Museu Carcerário
5. Ela no Meridiano 58º

Escrito por Marcelo Barbon

23/11/2009 em 0:39

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Aqui, jogos e bebida

com 7 comentários

Antes de qualquer coisa, um aviso: os óculos foram substituídos e a vida continua em foco por aqui. Apesar de caros, o seguro de saúde deu um desconto de 50% o que aliviou bastante o cartão de crédito.

O que não aliviou foi o calor, essa semana o clima de Buenos Aires me deixou preocupado, na quarta (ou foi na quinta?) chegou a 38º. Uma coisa horrorosa, como podem imaginar. Isso nos levou a pensar na compra de um ar-condicionado. Só há um problema, nossa relação não muito amigável com o dono do apartamento. Porque instalar um ar, mesmo um split, significa quebrar parede. Ou seja, custo do ar (ao redor de 2.000 pesos) + custo da instalação (ao redor dos 500 pesos) + custo da desinstalação (acho que menor do que a anterior) + custo de restaurar parede, etc, parece não valer a pena.

Isso porque nosso contrato aqui termina em setembro de 2010 e temos 99% de certeza que não vamos continuar aqui. O apartamento é legal, o prédio é bastante OK, preço razoável e tudo mais, só que morar em Caballito não faz muito sentido, principalmente para Ela que trabalha no centro. Eu não gosto muito do bairro que tem muito jeito de família nova-rica. Brinco que é a maior concentração de carrinhos de bebê por habitante da cidade. Um horror! As mães preguiçosas argentinas estão criando uma enorme geração de crianças gordas já que elas nunca caminham, só andam sentadas nos carrinhos.

Assim que, provavelmente compraremos um ventilador de teto e um portátil – mas Turbo – para aguentar o verão saariano que está prometendo (em algumas partes da província de Córdoba já não chove há um bom tempo e um lago simplesmente desapareceu por completo).

Por outro lado, a única coisa boa do verão, a mudança de horário, dessa vez não acontecerá. O governo federal e os provinciais não entraram em acordo, portanto nada de mudança. Lembrem-se então que estou escrevendo essas linhas uma hora no passado (menos os que estiverem lendo da Bahia para cima). Ao contrário da maior parte do Brasil, aqui a diferença entre inverno e verão em relação à duração do dia já é bastante visível. Com o horário de verão era fácil ter sol até 21h. Uma maravilha!

Outra frustração foi lembrar/descobrir que Finados não é feriado aqui (lembrar porque com certeza eu estava aqui no ano passado, mas devo ter esquecido). O que não mudaria muito para mim pois com a quantidade de trabalho que tenho até fevereiro, feriado é lenda urbana para mim.

Sim, até fevereiro. Recebi mais um pedido essa semana. Um livro sobre gerenciamento e futebol, tradução do espanhol para a Larousse do Brasil, para onde foi uma amiga que trabalhava na Ediouro. Parece divertido, mas ainda nem vi o livro que deve chegar por esses dias via Sedex.

Entre os amigos famosos, só tenho uns poucos que apareceram na TV, a maioria escritores dando entrevistas. Agora posso incluir um cantor famoso que aparece em programas de auditório: é o Túlio Bragança (eu falei que com esse nome de nobre brasileiro ele ia longe) que apareceu, com suas versões de pagode em inglês no programa do Luciano Huck. Até pagaram uma viagem BsAs-Rio com estadia e tudo.

Esse é Túlio “Live from Caldeirão do Huck”:

A semana foi lenta, poucas saídas, a maioria do tempo traduzindo e revisando (essa semana vai ser um pouco – insisto, um pouco – mais tranquila e talvez consiga ir a um show), mas ontem fomos a um bar chamado Aca Bar (onde tirei a foto que ilustra o post).

Aca Bar é um jogo de palavras já que pode ser lido como Acá Bar (aqui bar) ou, tudo junto, Acabar. E essa última palavra tem, na gíria, o sentido de gozar. Portanto, se vierem para cá evitem dizer: “Ah, hoje quero me acabar”, por favor.

O legal do lugar, além da comida e dos drinques (acho que tomei gin tônica pela primeira vez na minha vida – não lembro de ter tomado antes), são os jogos de mesa. Eles têm uma grande prateleira com muitos jogos, por isso o melhor é ir com amigos.

Há desde Banco Imobiliário (Monopoly por aqui) e War (TAG) até xadrez, damas e dominó. O mais divertido realmente é um que se chama yenga ou torre de babel. Eu não lembro de ter visto algo parecido no Brasil. São simples pedaços de madeira em formato retangular, monta-se uma torre com eles (3 madeiras por “piso”), aí é preciso ir tirando as madeiras de baixo e colocando em cima. Claro que uma hora vai tudo pro espaço.

Também inicio, hoje o Barba’s Book Club, com mini-resenhas dos livros que li no último mês. Cliquem no link que vai ficar na parte superior da tela.

Escrito por Marcelo Barbon

01/11/2009 em 23:05

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Drums & parrilla

com 5 comentários

Air drumming é uma das atividades mais divertidas que existem. Aqui, ao lado do computador, eu sempre mantenho um par de baquetas (uma Pro-Mark 5A, as únicas que prestam) e, entre uma página e outra digitada, toco um pouco de “bateria no ar”. E não é que alguém teve a magnífica ideia de fazer um filme sobre essa arte?

Vejam minha mesa de trabalho e reparem nas baquetas junto ao iPod, companheiros inseparáveis.

Chama-se Adventures of Power e já está em cartaz nos EUA (será que chega no Brasil ou Argentina? Duvido). A história de um cara que ama tocar bateria, mas é filho de um mineiro que nunca teve dinheiro para comprar o instrumento. O rapaz tem um talento natural para tocar air-drumming e vai atrás do seu sonho, participando de um competição. Parece ser muito engraçado. E o melhor é que gravaram um vídeo com o ator “tocando” Tom Sawyer ao lado de Neil Peart (e todos sabem como eu idolatro esse baterista).

Tive um pequeno acidente do sábado para o domingo: dormi em cima dos meus óculos que acabaram assim:

Por sorte meus óculos escuros também são de grau (senão nunca poderia usá-los) e a situação não é tão desesperadora. Mas é estranho usar óculos escuros em casa ou à noite. O lado bom é que marquei uma consulta com o oculista para quarta-feira, vamos ver como estão esses lindos olhos!

Na semana passada recebi a visita de Guilherme Darisbo, guitarrista e revisor de Porto Alegre. Ele está pensando em mudar para cá e já começamos a armar uma banda virtual. Também nos encontramos com o Túlio que abriu um espaço em sua agenda de celebridade para um jantar italiano no Spiagge di Napoli. Se você não sabe que o Túlio é uma celebridade, é porque não assistiu às suas pagodeversions. Isso mesmo, pagodes in English. O que começou com uma brincadeira, ganhou as manchetes do jornais. Ele até viajou para o Rio de Janeiro, para gravar uma participação no Caldeirão do Huck.

Por sorte, ele mora aqui e foi possível comer tranquilo na cantina, sem fãs e autógrafos, mas acho que essa paz não vai durar muito. Com certeza, ele vai acabar ficando famoso por aqui também!

No domingo, viajamos por meia hora e chegamos à Feira de Mataderos, um dos últimos bairros da cidade (mais uns quarteirões e já saímos da Capital Federal). O nome do bairro é meio autoexplicativo. Ali estavam a maioria dos matadouros do gado que vinha do interior para ser consumido na capital. E isso não mudou muito. Ali fica o Mercado de Liniers. Todos os dias pela manhã, alguns jornais da TV transmitem direto de lá, mostrando o número de cabeças que entraram no mercado. É uma média de 10.000 e esse número influencia nos preços.

Aos domingos, a frente do mercado se transforma em uma feira voltada para a divulgação de produtos do interior argentino. É bem legal, a comida é boa e tem algumas atrações musicais que podem ser interessantes. Almoçamos no Vieja Recova (a foto que abre o post foi feita lá e mostra o que [não] sobrou de nossa porção de vacío, linguiça e morcilla).

Encontramos até uma lhama (é a da esquerda, na foto abaixo), o que nos fez lembrar da primeira viagem que fizemos juntos entre dezembro de 94 e janeiro de 95. Chegamos a uma cidade no Chile – que não me lembro o nome – entramos no hotel, abrimos a janela do quarto e tinha uma lhama bem no meio da praça.

Ela e a lhama ou vice-versa:

De resto, como era de se esperar, o resto da semana foi tomado por muitas traduções e pouca diversão. Menos na segunda passada, quando consegui – depois de muitas tentativas – ir ao Clube de Tradutores Literários de Buenos Aires. É bom encontrar outros sofredores e chorar um pouco as pitangas (ótima expressão, um pouco esquecida). Talvez, no ano que vem, eu faça uma palestra sobre a tradução espanhol-português.

A semana passada completei 1 ano de Buenos Aires. Sem festinhas, mas escrevi um texto em espanhol com apenas três erros e elogios de minha professora. Fiquei muito orgulhoso. Sou assim, fico feliz com minhas pequenas conquistas.

Escrito por Marcelo Barbon

27/10/2009 em 1:38

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As vacas gordas são as mais chatas

com 4 comentários

Com a volta das “vacas gordas” como diz a minha amiga Clarisse, a vida tem ficado chata. É que o tempo das vacas gordas significa passar os dias trabalhando, saindo só para comer na hora do almoço e fazer minhas caminhadas no meio da tarde. Para disfarçar um pouco o “aburrimiento” criei uma estratégia para essas caminhadas. Marquei algumas praças e áreas verdes perto da minha casa e estou fazendo as caminhadas para esses lugares, assim não vou andar sempre pelo mesmo lugar e conheço as praças daqui.

Tive azar porque justo a primeira praça, que se chama General Aramburu, está passando por reformas. Em vez de verde de grama, máquinas e um monte de barro. Dia desses vou até a Plaza Irlanda que fica perto da imobiliária que nos alugou esse apartamento.

Uma das novidades é que descobri um lugar que faz tortas muito gostosas a bons preços. Tortas, no geral, vegetarianas (mas algumas são calóricas por causa do queijo) a 15 pesos. Pelo menos uma vez por semana, o almoço é uma torta dessas.

Como os dias da semana são de trabalho (e isso vai se estender até o fim do ano, sem perdão), o jeito é aproveitar os fins de semana. E no sábado, lá fomos nós para Puerto Madero. O quê, passear sob a lua, comer em um restaurante chique? Que nada, fomos é para o cassino. Roletas, Black Jack e Pôquer. Uma delícia perder dinheiro. Agora fiquei viciado, em outubro do ano que vem, juro que volto para jogar mais uns 200 pesos. Uma vez por ano é um vício espantoso.

Eles têm uma versão muito estranha do pôquer. Demorou algumas rodadas, mas eu peguei a manha e perdi menos do que se tivesse jogado na roleta, por exemplo.

Já no domingo foi Día de las Madres aqui, assim aproveitei que íamos para Boedo e levei a câmera. Um dia comum se transformou em mais um “dia fotográfico”. A foto que ilustra esse post foi tirada na esquina de San Juan e Boedo (que pode ser considerado o centro do bairro). É um bar com show de tango diários. Com jantar fica um pouco caro, mas estou com vontade de ir lá alguma noite.

O bom é que, mesmo trabalhando como um assalariado, ainda estou conseguindo encontrar tempo para ler. Toda noite (sim, minha jornada de trabalho está se esticando até a noite), ao terminar de traduzir, sirvo um copo de uísque com gelo e leio umas 30 ou 40 páginas do livro do momento. E pensei em começar um Clube de Leitura do Barba, logo mais vocês entenderão o que isso quer dizer.

Escrito por Marcelo Barbon

21/10/2009 em 0:57

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